quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Angústia

Há dois dias recebi um telefonema em resposta a um curriculo que enviei. Já comecei a ver ofertas de emprego, e a enviar currículos, mas sem grande aposta ainda. Nem sequer o actualizei.
Recebi, portanto, um telefonema. Nem me lembrava de ter respondido àquele anúncio. Era para vendedora, na área que trabalhei anteriormente e que pensei (desejei) nunca mais trabalhar. Marquei entrevista para ontem.
Ontem acordei angustiada. Não queria aquela entrevista, não queria aquele emprego. Queria continuar no meu ninho a fazer as coisas que tenho andado a fazer, que apesar de darem muito gozo, não dão garantias de rendimentos.
Fui, acho que estive bem, corro sérios "riscos" de ter conseguido o emprego. A ganhar razoavelmente, com possibilidades de ganhar muito bem. Com carro, telemóvel e portátil, o pacote todo do costume.
O P. ficou em casa com o G. E eu saí da entrevista com uma pressa angustiante de chegar a casa e pegar no meu bebé. Está tão difícil a ideia de o deixar*. Não esperava isto, à segunda dizem que é melhor. E eu sempre me ri por dentro dos relatos que ouvia de algumas mães acerca do que custa "cortar o cordão". Pois eu encaixei-me na perfeição nessa categoria de mães lamechas. Está-me a custar horrores deixar o G, e voltar a trabalhar naquilo que não dá gozo.
Mas tem de ser. Não podemos viver de ar e vento, e numa fase destas, se conseguir este emprego, estou a contrariar a terrível tendência em Portugal de desemprego. E preciso de respirar um pouco financeiramente. Não me privar nem privar os meus filhos de algo tão importante e bom como a piscina, por exemplo.
Hoje acordei melhor, com vontade de receber o telefonema a confirmar que sim, o emprego é meu.
*Para "melhorar" o cenário, a questão do biberão continua sem solução à vista. Falei hoje com a auxiliar que vai ficar com ele, e ela não se mostrou muito preocupada "nem que seja de copo, o importante é que ele beba o leitinho, mãe".