domingo, 7 de abril de 2013

Burocracia Portuguesa





Conheço uma senhora muito catita que encontrou o amor da sua vida. E decidiram casar. A senhora tinha acabado de se divorciar, após separação oficial de 6 anos. Quando se dirigiu a uma conservatória para tratar dos papéis, descobriu que só se poderia casar um ano após o divórcio. "Não há hipótese de ser mais cedo?? Um ano??" "Ah, sim, há a hipótese B, que são 6 meses" "OK, aceito, o que é que tenho de fazer?" "Trazer uma declaração do seu médico obstetra a comprovar que não está grávida". 

Pormenor importante: a senhora caminha alegremente para os 65 anos!!!

"E não, não há excepções. E não, a médica de família não chega"!

Assunto a abordar mais tarde

Já falei da situação do meu pai, como tudo isto alterou as nossas vidas e do desgosto que eu tinha pelos meus filhos não terem essa figura de referência nas suas vidas - um avô.

Pois bem, estava eu em casa da minha mãe, na véspera de nascer o S., já com contracções fortes, quando a minha mãe me vem com a seguinte conversa: "vou-me casar"!

No início pensei que estava a gozar comigo, mas depois percebi. Na semana anterior, nos anos dela, ela tinha falado com o F., o primeiro namorado que ela teve, um amigo "quase secreto" durante toda a sua vida. Nessa conversa, sob pretexto de lhe dar os parabéns, o F. contou-lhe que ficara viúvo recentemente e não pensou duas vezes: queria casar com ela, ter a oportunidade que não lha deram quando eram novos. 

Fiquei super orgulhosa dela, nunca a supus capaz de fazer algo semelhante por si mesma. Eu sempre vi a minha mãe a viver a sua vida em função de nós e agora vejo-a tomar uma decisão destas... Fiquei tão feliz... Por isso é que no primeiro fim-de-semana em casa com os 3, ela não estava disponível: o F. passou lá o primeiro fim-de-semana deles...

E depois veio a apresentação do F. à nossa família, em especial aos miúdos. E não podia ter sido melhor. Desde a primeira hora que é o Avô F., um avô especial, que gosta genuinamente dos garotos e a quem eles adoram!

Único senão: a minha mãe, assim que se casar, vai viver para a casa dele, em Albergaria !! Vou perder o meu braço direito, mas é por uma muito boa causa!


Conversas em família

Hora de jantar, eu, o M. e o G., tranquilos a comer panados com arroz e feijão.
- "Desculpa dizer-te isto... mas eu não me sinto muito bem..."
- "Então porquê, filho?"
- "... A minha vida não me corre como eu queria..."
(O QUÊ???)
- "Porquê? O que é que te falta na tua vida?"
- ... "Queria viver mais sossegado... o G. fala muito alto e doem-me os ouvidos."
(O QUÊ???)
- ... "Mas... tu não gostas de ter irmãos?"
- "Vamos ver como é o S., mas se for como o G...."
- "Então tu não gostas do G.?"
- "Gosto... mas ele fala muito alto!"


PS - A bem da verdade, sim, o G. fala muito alto. Mas fiquei muito surpreendida e ligeiramente preocupada com os pensamentos que percorrem a cabecita do meu menino. O P. acha que é a reacção dele aos irmãos, especialmente ao S.. Acha que devemos deve passar mais tempo só com ele. Ontem foi com ele andar de bicicleta e ele amou. Mas está sempre a pensar profundo. A meio do passeio o P. disse "O G. ficou tristonho de não ter vindo" e ele respondeu "Eu sei, estava mesmo agora a pensar nisso".

Tanto tempo, tão pouco tempo...

Já passou tanto tempo, e eu ando com tão pouco tempo disposição... Para que se perceba, é sábado, são 10 da manhã, está a chover e eu estou aqui com dois miúdos a verem-me escrever, a fazer mil e uma perguntas, porque estão aborrecidos. E eu tento, a sério que tento...