sexta-feira, 19 de julho de 2013

Os tempos que correm

Ai os tempos que correm... O meu país parece um circo político, em que me é muito difícil rir, só me apetece dar o par de estalos a uns quantos que o meu estatuto de mais de três me dá! 
Cá em casa menos mal. A minha inactividade é deprimente, apenas com a vantagem de estar mais tempo com os pequenitos, com mais calma. Mas é sufocante a falta de perspectiva, a falta de dinheiro, a falta de autonomia. Mas, cliché dos clichés, a vida dos miúdos mitiga isso tudo. Mesmo com os dias em que me dão em doida (ontem, os três a chorarem ao mesmo tempo, por razões diferentes, na hora de ir para a cama, e eu a tentar falar calmamente com cada um por cima dos gemidos/choros/gritos dos outros dois!!!). Eles são maravilhosos, a minha vida familiar é boa.

Estão a acabar duas semanas de praia com a escola. O G., que gosta cada vez menos da educadora escola, pede todos os dias para ir brincar com o irmão, na praia. E adora. E o M. também gostou ao princípio, Agora não quer que ele vá, porque, segundo ele, "os meus amigos não o deixam brincar". O M. é tão protector para com o irmão... É verdadeira aquela teoria, de que eu posso dizer mal do meu irmão, mas ai de quem o faça à minha frente! Ele zanga-se com ele, disputa brinquedos, provoca-o. Mas depois temos isto, defende-o sempre perante os amigos, dorme muito mal quando o G. não está, enfim, uma relação de irmãos que espero que se prolongue pelas suas vidas fora. É uma sensação muito boa e considero o meu trabalho feito assim que perceber que são 3 adultos íntegros e unidos, amigos.

O M. faz 6 anos (!) para a semana. E agora começam as dúvidas de criar uma criança. Nunca fui uma mãe insegura, nem com grandes dúvidas e incertezas. Sempre achei fácil e intuitiva a tomada de decisões em relação a eles. Percebo agora porquê. Bebés precisam apenas de amor, carinho, cuidado e disciplina. E são felizes e equilibrados com isto. Agora, uma criança... bem, quando ela começa a pensar e a questionar... surgem dúvidas profundas. O M., numa noite em que o G. estava na avó e ele, portanto, foi adormecer sozinho, apareceu-me na sala a chorar desalmadamente porque tinha tido "pensamentos maus". "Eu não quero ser adulto porque vocês depois não estão cá, vocês vão morrer". E eu... bem, eu menti. Disse-lhe que só morreríamos quando fôssemos muito velhinhos, e ele também fosse velhinho. E tive consciência da enorme mentira que disse. A M., a namoradinha do M., tem o pai doente. Muito doente. Eu acho que ela ainda não se apercebeu do que poderá acontecer, e o M. também não. Mas, aparte o aperto no coração que me deu essa notícia (porque gosto da miúda, gosto dos pais, porque não é justo!), mais me aflige o facto de o M. vir a "presenciar" a morte do pai de uma amiga. Como é que o asseguro de que eu e o pai ficaremos por cá? O que o impede de pensar que todos poderemos morrer antes do tempo? Se calhar estou a antecipar problemas, mas com a forma como o M. pensa, sei que esta inquietação irá surgir, e eu juro que não faço a mínima ideia de como o sossegar.

O G. tem 3 anos e tem a despreocupação que reflete isso. É tão espectacular este meu filho. Lindo, energético, impulsivo. Tão depressa chora baba e ranho, com direito a gritos e atiradelas para o chão, como no segundo seguinte está a rir. Ainda ontem, birra descomunal para entrar no carro à saída da escola, com direito a palmada e tudo. E foi então que lhe disse qualquer coisa que o divertiu e foi vê-lo a rir-se, a gargalhar, mesmo, com a cara ainda lavada em lágrimas! 

O S. tem 10 meses. Esperto. Em duas semanas aprendeu a gatinhar e a pôr-se de pé, e agora ameaça começar a largar-se. Juro que há 15 dias atrás eu punha-o de pé e ele não sabia o que fazer com os pés! É um bebé que me apaixona, custa-me a crer que só tem 10 meses. A amamentação está a correr calmamente, come agora à noite, antes da cama e depois do jantar, mama, normalmente uma vez de noite e depois de manhã. Ao fim de semana, tem direito a lanches e sobremesas mamárias!!! E é um companheiro. E os irmão adoram-no. O M. vê nele um bebé, é super carinhoso e brincalhão com ele e o S. ADORA-O! O G. vê-o como um igual, agora que ele se move e brinca com os brinquedos. E por isso disputa brinquedos, por vezes com a forma um pouco desastrosa que o caracteriza.

Ai, que privilégio vê-los crescer juntos...