quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vergonha

Hoje tive vergonha deste país. Na boca de um secretário de estado qualquer, uma pessoa que ganhe mais do que 485€/mês, tem mais do que suficiente para pagar taxas moderadoras. Mais, disse que uma pessoa que tenha de rendimento 600€ teria de ir todos os dias ao hospital para gastar metade do rendimento!!!
Será que esse senhor alguma vez se sentou numa sala de espera de um Centro de Saúde à espera de ter consulta, de pedir ao médico para ver umas análises? Será que sabe quem vai à urgência de um hospital? Será que sabe quem usa o SNS?
Acho que chegou a hora de alguém dar um murro na mesa! Não sei, serei a única profundamente revoltada com este estado de coisas? Porra, eu sei o que custa viver e percebo que ainda assim sou extremamente previlegiada em relação a muitos Portugueses. Para isso basta-me ter um gajo em casa com emprego seguro (?) num hospital, a ganhar um pouco mais do que a média.
Tenho tanta raiva dentro da minha cabeça que só me apetece escrever um monte de frases terminadas em ponto de exclamação! Mas fico só por aqui...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Como proteger um filho da crueldade de uns miúdos?

Fomos à festa de aniversário da M. Depois de uma chegada muito tímida por parte do M. (e minha, que ,sem gajo, cheguei lá para constatar que os únicos conhecidos eram os pais da M.). Depois lá começou a brincar (sozinho) no quarto da aniversariante e eu pude vir para o convívio dos adultos tentar... bem, conviver.
Havia lá muitos miúdos, quase todos mais velhos, todos rapazes e demasiado reguilas.
A dada altura vêm à sala dizer-me que o meu filho estava no quarto a chorar. Fui lá e vi todos os miúdos de volta dele e ele aninhado no chão, com um baralho de cartas, a chorar baixinho, mas completamente entupido pelos soluços. Os miúdos começaram a dizer "ele quer fazer xixi". Por isso peguei nele e levei-o para a casa de banho. Ele chorava tão compulsivamente que demorou imenso tempo até que conseguisse dizer o que fosse. Fiquei destroçada!
Aos poucos fui percebendo. Ele disse que os "meninos estavam a dizer que eu ia fazer xixi nas cuecas" "mas não ias, pois não filho?" "não, mas eles disseram".
Depois mais calmamente, percebi o contexto. Ele estava a brincar com o baralho das cartas, e devem ter saído todas da caixa e ele deve ter achado que tinha feito asneira. Depois entraram os miúdos, viram-no comprometido, começaram a gozar e ele não aguentou. Fiquei furiosa! Furiosa com os miúdos (que levaram recado!), "furiosa" com ele por não se saber defender, e furiosa comigo por não o fazer perceber que pode sempre pedir-me ajuda numa situação difícil. Se não me tivessem chamado, até onde é que ele aguentava?
Coitadinho, sentiu-se tão mal, deve ter-se sentido tão sozinho e desprotegido. Odeio esta sensação de que não conseguimos evitar que os nossos filhos sofram, especialmente este tipo de sofrimento, tão interior...
Fiquei desolada.

Virose

É o nome pomposo com que somos brindados pelo pediatra após uma semana de febre, com pausa apenas de dois dias.
Fui com o G. ao pediatra na 6ª feira, depois de febre constante desde 4ª. Nada a declarar, garganta OK, ouvidos OK, barriguita OK. Sendo assim, sobra-nos a virose, paracetamol de 4 em 4 e pronto.
Depois de um fim de semana calmo (à excepção da "maezite" aguda que o assolou), regresso à escolinha e ao trabalho hoje, até às 4 e meia, altura em que vejo o nome "Infantário" no telemóvel e tremo: "Mãe, o G. acordou com febre.". Ok, vamos para casa. O colo da mãe resolve quase tudo, e o que não resolve, a mama trata ;-).
Esperemos que este virus vá embora, para bem dele e meu, que tenho o chefe a dar o badagaio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Do fim de semana

O fim-de-semana passado foi dedicado ao M..

No sábado, deixamos o pequenito na avó por duas horas e fomos os três ao Zoo. Pela primeira vez. Ele adorou, especialmente a "popota", que "mergulha como eu, mãe. Sabes, eu já sei mergulhar, tens de ir ver". Não gostou particularmente dos répteis, mas leões, ursos, macacos e zebras brilharam. Acho que gostou também particularmente de ir com os pais sozinho, único, pela primeira vez em muito tempo, mas no fim ainda disse "acho que o G. ia gostar de ver a popota".
Depois, no domingo, fui sozinha com ele ao Concurso Internacional de Saltos do Porto, na Exponor. Para espanto meu, ficámos lá tempo suficiente para ver 18 cavaleiros, cerca de 1 hora e meia, e tive de insistir muito para virmos embora. Ele adorou. Havia um pequeno cercado com um pónei para as crianças andarem, para contribuir para a Associação Nariz Vermelho. Ele ficou entusiasmadíssimo ("vou ser como o Dartacão!"), e lá fomos nós para a fila. Ficámos uns 15 minutos à espera. Quando chegou a nossa vez, peguei-lhe para o colocar no cavalo, ele agarrou-se a mim como uma lapa, aliás, polvo, com tudo que eram braços e pernas colados ao meu corpo, e a cabeça bem escondida no meu pescoço. Não houve argumento que desarmasse aquela falta de coragem. E lá fomos de volta, com ele a dizer coisas como "eu não tinha medo, mas não queria...".
Coitadinho do meu filhote, o orgulho ficou de rastos e não quis falar mais do assunto.

Hummmã

Será a primeira palavra?
Desde que anda adoentado, vê-me, estica os bracinhos e reclama "hummã". É tão delicioso...

De molho

É como estamos por estes dias. O G. com febre de 39,3ºC ontem, hoje melhor, mas em casa por percaução.
O chefe a dar em doido, mas a controlar a doidice porque não é politicamente correcto "malhar" numa mãe que fica em casa com um bebé doente, mas mesmo assim a dar em doido, de certeza. Mas como o colinho de mãe é metade da cura, hoje fazemos gazeta e gozamos da companhia um do outro.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E voltámos em força!

Sim, depois da choraminguice de alguns dias atrás, estamos a produzir em força! Mãe e filho andam satisfeitos, o que é de valor.
Agora, vou ali de fim de semana e volto já.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Bidente

É oficial, há dois dentitos a arranhar o dedinho da mãe ansiosa que anda sempre dentro da boquita dele. E se não fosse isso, nem dava por nada. Bendito G.,mantém-te assim sempre!

E pela boca morre o peixe

Estou em stress.

Estive doente a semana passada. Uma dor crescente no rim direito, mais uma "imperiosidade em urinar"* tiveram como diagnóstico uma infecçao urinária. Nem me podia mexer. Depois de antibiótico um dia, melhoro aos poucos.
Depois disso, veio o stress. Tiro hoje metade do leite que tirava há 8 dias atrás. Mesmo à mama, vejo que ele às vezes não fica satisfeito. E insisto, muito. Procurei ajuda numa enfermeira do meu Centro de Saúde, profissional verdadeiramente empenhada na saúde materno infantil. Ela "encolheu os ombros" (foi por mail) e disse para relaxar e para começar a procurar alternativas (suplemento, nas palavras dela). Recusei pensar nisso. E continuo a insistir, e hei-de continuar.
"Ah, e tal, 6 meses já é muito bom, muita gente não consegue tanto." Não, não, não! Não é assim. Biologicamente não há razão para deixar de ter leite quando o bebé ainda mama!
Então ando a beber muito (benditos packs promocionais de Pleno, andam sempre comigo no carro), a tirar duas a três vezes por dia (o que tem rendido uma refeição e meia, ao invés das 3 usuais). E já decidi, quando acabar com o stock no congelador, o G. passa a fazer 2 refeições de colher por dia (sopa e papa) e eu continuo a tirar 2 vezes ao dia e terei leitinho até o G. ou eu nos fartarmos de mamas (que espero que seja daqui por mais de 6 meses!)
*palavras da minha médica

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Como uma oração



Fomos ver os Lamb em 2009, em Maio, acho eu. Na altura já estava a tentar engravidar há vários meses, e andava um pouco em baixo.

Quando surgiu esta música, surgiu quase como uma oração. Chorei silenciosamente enquanto a cantava. Dois meses depois, surge o G. Ainda hoje quando a oiço, arrepio-me toda e vêm-me as lágrimas aos olhos.

Isto é o mais próximo que eu fico da oração e da religião ;-)





terça-feira, 2 de novembro de 2010

Para memória futura II

E esta noite, o G. dormiu 8 horas seguidas!!!!
Adormeceu às 19.30h, acordou às 3.30h para mamar e depois às 8.30h da manhã! Que bem que soube. Era bom que fosse para ficar.

Estão a crescer os meus meninos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Para memória futura

Sei bem que esta informação não conta para o campeonato de ninguém além do meu, mas mesmo assim:
  • O M. adormece finalmente sozinho no seu quarto
  • O M. come finalmente sopa com couvinhas (i.e., não passada).

E é assim que me apercebo que ele cresce todos os dias. Mas não tenho nostalgia dele mais pequenino. Antes adoro cada fase e antecipo ansiosamente a próxima. Adoro vê-los transformarem-se diariamente em pessoas únicas. Este trabalho de ser mãe é o melhor do mundo, mesmo (mesmo descontando as birras e as noites por dormir e tudo e tudo e tudo!).

Foi há 4 anos!

Não podia deixar passar esta data em branco. A verdadeira aventura começou há 4 anos!


P.S. - Parabéns T..

domingo, 31 de outubro de 2010

* O tal assunto a abordar mais tarde

O M. sempre passou uma noite por semana na avó desde mais ou menos os 18 meses. Quando eu ia lá e depois vinha embora, choramingava sempre, se bem que depois ficasse lindamente.
Depois do nascimento do G., reparei que ele queria ir para a avó, mais do que o costume. E que sempre que lhe dizia que era 6ª feira, ficava radiante. Claro, na casa da avó ele ainda é o menino, não há mais nenhum.
No primeiro dia de creche do G., a minha mãe foi comigo buscá-los. E fomos primeiro buscar o G.. E ela pegou-lhe ao colo para eu ir receber o M.. Quando ele veio, ficou possesso de ver a avó com o G.. Nem quiz um beijo, nada, só queria que ela pousasse o mano.
Agora, uma semana depois, está tudo normalizado.
Não parece, mas isto de ter irmãos mexe muito. Apesar de cada vez mais encher o mano de beijos, o M. ainda é surpreendido com a perda de estatuto de "único".

Pai em casa

O P. tirou um mês de licença de parentalidade, assim que terminou a minha de 5. Acabou esta semana, quando o G. fez 6 meses.

Foi tão bom tê-lo em casa nos horários normais das famílias (leia-se ao fim da tarde). Todos os dias eu ia buscar o M., chegávamos a casa e lá estava ele à nossa espera. E enquanto eu cuidava do G. (que chegadas as 6 da tarde já ninguém o atura, quer é dormir), o M. ficava com o pai a ver desenhos animados (o Dartacão roda cá em casa non stop há 5 semanas!), e a "fazer brincadeiras", e a "jogar às fintas". Ele adorava, era brincadeira pegada durante o jantar, ia para a cama feliz e assim até começou a adormecer sozinho, sem mim no quarto.
Pois, mas o que é bom acaba depressa. O P. voltou a trabalhar. E até agora sempre a fazer tarde, o que quer dizer que os finais de tarde são passados a três. Com as pressas do costume, que tenho de dar banho, amamentar e deitar o G., depois tenho de fazer o jantar, e depois o banho do M., e assegurar-me de que consigo isto de forma a que ele não vá para a cama muito tarde. O que não deixa tempo para as lutas de espadas com os "pauzinhos" do xilofone, ou para pintar o livro de colorir, ou simplesmente ver desenhos animados. E que pena que eu tenho disso. Gosto de o ouvir rir de feliz, de satisfeito.
Por isso, no outro dia, decidi mandar vir uma pizza. Ele adora, desde o facto de o homem vir de mota, à própria pizza. E assim houve tempo para brincar, só brincar. Que bom que foi.
Um dia não são dias, e vamos fazer isto mais vezes (nota mental: para a próxima, fazer própria pizza - sai mais barato e mais saudável!).

Serviço público - Amamentação em tempo de trabalho



Alguém algum dia pode passar por aqui e ler isto. E alguém pode precisar de ajuda, e é para isso que vem este post.

Deixei de amamentar o M. aos 7 meses, após uma cirurgia às pernas e após o início dum emprego. Comecei a trabalhar e logo nos primeiros dias começou a surgir a dificuldade de tirar leite durante o dia. Desesperei, deixei de ter leite para o dia seguinte dele no infantário, e para que ele não passase fome, avancei para o leite de lata. E desisti do meu, simplesmente achei que tinha acabado.

Sempre culpei a cirurgia desse facto, mas agora, olhando para trás, vejo que simplesmente desisti por desconhecimento, desinformação.



Com o G. queria que fosse diferente. E andava a correr tudo bem. Até que veio um dia em que estava eu numa casa de banho pública, a iniciar a tarefa da ordenha, quando percebi que estava com dificuldade em tirar. Normalmente tirava 180ml de cada vez, e nessa vez estava com 20ml e as maminhas a dizer que não havia mais. Respirei fundo, cheirei o disco de amamentação (com um cheiro tão parecido com o do G.) e eis que ela veio, a sensação de descida do leite. E a mama libertou, consegui rapidamente os 180ml. E então percebi: para que consigamos tirar o leite, libertá-lo, é quase como para o sexo, temos de estar focadas naquilo, sem stress, sem mais nada na cabeça.

Ora, isso não é fácil no dia a dia do corre corre do trabalho. Decidi telefonar para a Maternidade e falar com as (fantásticas) enfermeiras da consulta externa de pediatria. Lembrei-me da Occitocina que me deram para soltar o leite nos primeiros dias do G. e perguntei se ainda faria efeito passados 6 meses. Elas disseram que sim, quando tiver dificuldades posso usar. E assim, usei duas vezes, e resultou. Depois disso, e se calhar por ter relaxado em relação a esta questão, não voltei a precisar de usar. Agora, quando demora mais tempo a libertar, respiro fundo e relaxo, sei que é uma questão de tempo e ele vem, ele está lá dentro.

Por isso concluo: para amamentar é absolutamente necessário:
  1. Querer, verdadeiramente querer;
  2. Estar informada e querer saber, procurar respostas.
  3. Acreditar que é possível.
Ando agora todos os dias com uma lancheirinha térmica com este estaminé todo. E faço-o duas vezes por dia, nas horas (mais ou menos) que ele mamaria, de forma a tirar as duas refeições diárias de leite que ele toma no infantário. E penso andar assim pelo menos mais 6 meses.




É possível, agora acredito que sim e estou feliz por isso!



domingo, 17 de outubro de 2010

Depois do primeiro dia

Tudo a correr bem. O ambiente de trabalho é tão bom que faz-me esquecer de que aquilo não é o que eu queria estar a fazer. Os dias passados em Lisboa foram rápidos. O P. foi um herói. Com o mau tempo que esteve, ficou os três dias fechado no quarto de hotel com o G., saindo apenas para comer. No último dia teve de sair do quarto às 3 (especial favor da recepcionista) e esperar no lobby mais de uma hora por mim, com o G. em crise de sono e choro. Depois a aventura de irmos de metro até ao comboio. Chuva, muita bagagem, um bebé, e ausência de elevadores ou escadas rolantes (ou pessoal do metro!). Depois de muita confusão (e duas queixas no Livro de Reclamações), a viagem de comboio, a chegada a casa!
E um amigo muito especial que também tinha chegado para nos visitar. Um fim de semana com gente em casa, como há muito não havia. E um início de semana de trabalho. Só ontem respirei tranquila. De volta às rotinas, é bom.
O P. anda tranquilo com o G.. É tão bom vê-lo neste papel. É bom.

sábado, 16 de outubro de 2010

O primeiro dia

Mãe, pai e bebé acordam. Pai e bebé levam a mãe ao trabalho, a pé, debaixo de uma chuva miudinha que espelha as borboletas a dançar na barriga da mãe. Despedem-se apressadamente, que a chuva não ajuda. A mãe passa o dia na companhia das borboletas. Não telefona. Não lhe telefonam, deve estar tudo bem...
Chega ao fim a jornada de trabalho. A mãe faz-se ao caminho do hotel, numa caminhada de 25 minutos que lhe parecem 2 horas. Chega ao hotel, apanha o elevador, aproxima-se do quarto. Espera encontrar um bebé em prantos e um pai exausto do primeiro dia de ambos sozinhos um com o outro. À porta não ouve nada. Abre a porta, pai e bebé na cama a ver televisão. Ambos sorriem ao vê-la. Ela beija o pai e deita-se ao lado deles. Oferece a mama ao bebé, que aceita tranquilamente. Ela cheira aquele cheiro por que ansiou todo o dia e respira fundo: tudo está bem, tudo vai ficar bem...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

E amanhã

Estamos de partida para Lisboa. Os nervos à flor da pele... por tudo... e um joelho a doer... e um filho demasiado feliz por saber que vai estar na casa da avó "muitos dias"*...

Vai começar amanhã...


*assunto a abordar mais tarde

Afinal...

... a senhora tinha mesmo fobia à água... Ups...

Mas se é mesmo assim, não devia ter ido, não é?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

M. em modo aquático

Começou hoje a piscina na escolinha. E eu fui lá ver. Eheheh. Foi tão fixe, vê-lo a ter aulas, com um professor. Andava lá feliz, meio alheado da aula em si, a brincar, basicamente, e a ver os outros brincar. Várias vezes o professor teve de repetir as instruções, que o senhor M. já se tinha esquecido e andava por ali a brincar com os outros. Mas gostou, viu-se que sim.

Outros pais também foram. Foi a primeira vez para vários meninos. E claro, vários meninos escorregaram na piscina (que deve ter um meio metro de fundo), ficaram meio aflitos e engoliram um pouco de água. O M. também, safou-se bem, foi ajudado e não se assustou minimamente. Aliás, a todos os meninos a quem aconteceu isso, o professor teve o cuidado de "fazer uma festa" e certificar-se de que não se tinha assustado. Houve um que andou um pouco ao colo até ganhar de novo confiança. É claro que houve uma mãe que desatou aos prantos, teve a Educadora vir à bancada buscar essa mãe e levá-la para junto da piscina e da menina, que entretanto brincava de novo despreocupada.
Sinceramente, ou esta senhora tem fobia a água (o que é possível), ou então fez um triste figurinha.
Mas se calhar sou eu que sou despreocupada demais, não sei bem...

E ao fim de quatro dias...

... de persistência da M., o G. aprendeu a mamar no biberão, e a gostar! Sim, até eu já lhe dei em casa e ele mama muito bem! Obrigada M.! Obrigada! A ordenha também está a correr bem. E a papa, já come bem. Agora já posso avançar para esta nova fase mais relaxada, menos ansiosa.

Espera-me um futuro auspicioso, só pode. Tudo se encaixa. Será desta?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Da visita ao pediatra

O G. está grande e fofinho ;-), esperto nos seus 5 meses (começou a estranhar as pessoas, comportamento esperado só daqui a um mês...), esquesitinho de boca que chegue. O pediatra disse que vamos tentar o biberão. Se de todo ele recusar (e pelos vistos há bebés que nunca o aceitam... nãaaaaoooooo), passa a comer 3 refeições de colher por dia (sopa, papa e fruta). Ele diz que em termos alimentares e de desenvolvimento não há problema, mas eu gostava que ele usufruísse ao máximo de mim e do meu leitinho! Portanto, passamos ao plano B: levá-lo ao infantário para que elas tentem. Hoje levei-o cheiinho de fome, deixei-o lá com um biberão, e fui tomar o pequeno almoço. Custou-me horrores.
Voltei lá passada meia hora. Berrava ao colo da M. E ela sem conseguir dar-lhe uma gota sequer. Nem de colher...
Vamos fazer isto até ao final da semana. Amanhã com novo biberão, com nova tetina.
Ai G., facilita a tua própria vidinha, filho!

domingo, 26 de setembro de 2010

E quanto ao G.

Pois, o G. ainda recusa o biberão. Aliás, como descobri há dias, recusa qualquer coisinha na boca que não seja macia e quentinha (maminha, pois...). Como já tenho um prazo para começar a trabalhar, deu-me o pânico. Liguei ao pediatra. Acalmou-me, disse que temos muito tempo para o ensinar, e mandou começar a experimentar papas e sopas. Aqui fica a reportagem fotográfica da primeira tentativa:







Olhar desconfiado, aceita abrir a boca a medo...
E depois o drama, a tragédia!



Que só terminou da forma que se imagina, com a maminha na boca...

E as tentativas seguintes foram semelhantes, apesar de já conseguir que engula. Mas sempre nuns prantos que parece que lhe estou a meter agulhas na boca!




Ah G., G., ajuda lá a mãe...

sábado, 25 de setembro de 2010

Mas também foi ontem...

... que consegui emprego. A entrevista que eu não queria ter tido, o emprego que eu não queria, agora é meu. E assim respiro de alívio. Que se lixem os senhores do governo que querem saber das contas dos meus filhos.
Vou começar daqui a 2 semanas. Na verdade, esta resistência que eu tinha cedeu muito. O futuro chefe/patrão é uma pessoa com historial de grande sucesso no ramo, penso que me vou dar muito bem. Além de que lhe falei de todas as "condicionantes" de ter 2 filhos pequenos e ele ainda assim escolheu-me. Aliás, por causa de uma dessas condicionantes, vou para Lisboa em formação 3 dias... e levo o P. e o G. comigo! Vai puxar muito por mim (os objectivos são extremamente ambiciosos), mas posso conseguir.
Pelo menos por agora respiramos um pouquinho melhor cá por casa.

O Estado Social

Ontem foi o primeiro dia de desemprego. Fui ao Centro de Emprego fazer a inscrição e à Segurança Social fazer o pedido de Subsídio de Desemprego. No meio de tantos papéis e formulários a que a burocracia obriga, vem o famigerado papel para declararmos os valores que temos nas contas bancárias de todos os elementos do agregado familiar.
- Desculpe, mas é para pôr de todas as contas, mesmo as poupanças dos miúdos?
- Sim, eles fazem parte do agregado familiar, não é?
- Sim, mas as poupanças são DELES, não lhes posso mexer, só eles o podem fazer quando tiverem 18 anos!
- Pois, mas tem mesmo de pôr...
Portanto, como os meus filhos daqui a 18 anos vão poder ajudar-me financeiramente, pelos vistos tenho de o declarar, se é que quero receber a benesse de 419€ que o estado me dá. Sim, porque desde 1 de Julho que deixei de ter direito ao Subsídio de Desemprego e passei a ter direito à esmola do Subsídio Social de Desemprego!
Viva o Estado Social!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Afinal surtiu efeito

Depois da cena do "não gostas de mim", parece que a conversa que tivemos surtiu efeito. Além de nunca mais ter dito semelhante barbaridade, agora diz muitas vezes "gosto de ti sempre, mãe", ou "gosto muito do mano" e outras preciosidades parecidas, que derretem o coração frágil de qualquer mulher parideira ;-)
Ser mãe compensa, ah se compensa!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Angústia

Há dois dias recebi um telefonema em resposta a um curriculo que enviei. Já comecei a ver ofertas de emprego, e a enviar currículos, mas sem grande aposta ainda. Nem sequer o actualizei.
Recebi, portanto, um telefonema. Nem me lembrava de ter respondido àquele anúncio. Era para vendedora, na área que trabalhei anteriormente e que pensei (desejei) nunca mais trabalhar. Marquei entrevista para ontem.
Ontem acordei angustiada. Não queria aquela entrevista, não queria aquele emprego. Queria continuar no meu ninho a fazer as coisas que tenho andado a fazer, que apesar de darem muito gozo, não dão garantias de rendimentos.
Fui, acho que estive bem, corro sérios "riscos" de ter conseguido o emprego. A ganhar razoavelmente, com possibilidades de ganhar muito bem. Com carro, telemóvel e portátil, o pacote todo do costume.
O P. ficou em casa com o G. E eu saí da entrevista com uma pressa angustiante de chegar a casa e pegar no meu bebé. Está tão difícil a ideia de o deixar*. Não esperava isto, à segunda dizem que é melhor. E eu sempre me ri por dentro dos relatos que ouvia de algumas mães acerca do que custa "cortar o cordão". Pois eu encaixei-me na perfeição nessa categoria de mães lamechas. Está-me a custar horrores deixar o G, e voltar a trabalhar naquilo que não dá gozo.
Mas tem de ser. Não podemos viver de ar e vento, e numa fase destas, se conseguir este emprego, estou a contrariar a terrível tendência em Portugal de desemprego. E preciso de respirar um pouco financeiramente. Não me privar nem privar os meus filhos de algo tão importante e bom como a piscina, por exemplo.
Hoje acordei melhor, com vontade de receber o telefonema a confirmar que sim, o emprego é meu.
*Para "melhorar" o cenário, a questão do biberão continua sem solução à vista. Falei hoje com a auxiliar que vai ficar com ele, e ela não se mostrou muito preocupada "nem que seja de copo, o importante é que ele beba o leitinho, mãe".

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Regresso à escolinha

As férias do M. duraram um mês e meio. Muito tempo para estar afastado da escola...
Nas primeiras semanas, ele adaptou-se bem e não acusou o tempo que esteve afastado. No início de setembro iria mudar de sala e andámos a falar disso nas duas semanas anteriores. E ele ia visitar a sala mas era preciso "arrancar a ferros" qualquer comentário ao que vira. Houve um dia em que disse "mas eu não quero brinquedos novos, nem amigos novos." (tãaao parecido com o pai)
Esta é a segunda semana na sala nova. No primeiro dia, muita excitação, a contar de todos os brinquedos novos que tinha lá, e do refeitório novo. Depois deixou de fazer comentários. Depois começou a ter dores de barriga antes de sair de casa. E a dizer todos os dias "vamos para a escola? não quero ir para a escola". Perguntei do que é que ele não gostava da escola, ele diz que gosta, mas que não quer ir.
Vou falar com a Educadora, para despistar alguma situação que me esteja a escapar. Mas temo que seja a forma dele viver as mudanças. E que isto se vá repetir em todas as mudanças de ciclo. O P. diz que sim, com ele era igual, ele lembra-se do drama de mudar de escola. E além disso, o ambiente na sala não deve ser dos melhores. Tem meninos novos. Pelo menos três deles estão sempre a chorar quando eu deixo o M. de manhã. Quando passou para a sala do 1 ano foi igual. Muito meninos choravam muito de manhã e isso foi muito difícil para ele.
Mas fico preocupada. Além de eu entender o seu sofrimento, e de nada poder fazer para o evitar, temo que ele passe despercebido à D. e à S., pelo seu sossego.
Vou falar com a S.. Nunca faz mal conversar, não é?

Dia de pica e outras histórias do G.

Hoje foi dia de vacina do G.. Portou-se pior a tomar a Rotateq, via oral (parecia que lhe estavam a dar limões!) do que a pica. Choramingou, mais a queixar-se do que com dor, calou-se assim que lhe peguei e ainda sorriu para a enfermeira!
Veio de lá com o carimbo de "badochinha". Está com 7,720Kg, 66,2cm. Está grande e gordinho. E tãaaao simpático. Este menino é muito bem disposto. Vai no metro, no autocarro, a sorrir a todos os que cruzam o olhar com o dele. É delicioso!
Mas agora arranjou-me mais uma preocupação. Quando tinha cerca de 2 meses, experimentei dar-lhe o leite com biberão. Nem reclamou! Bebeu tudo e no fim ainda lhe afinfou na maminha! Fiquei descansada, não iria ser o tormento que foi com o M.. Hoje, e porque a minha mãe estava cá, e porque tinha descongelado um saquinho de leite, decidi experimentar de novo. Resultado, BERROU, BERROU e não lhe pegou! E cheio de fome que estava! Quando lhe dei a mama, a meio de uma crise de histerismo, agarrou-se a ela como se não houvesse amanhã!
Agora vou ter de fazer disto um exercício diário, para ver se não vai para a creche sem querer o biberão. Temos um mês e meio para o fazer. Colabora, G....

Mas ser mãe (também) tem piada

Agora, quando o que eu lhe estou a dizer não lhe interessa (como "come a maçã", ou "anda para a mesa", ou ainda "não te dou mais bolachas porque..."), diz: "vou-me embora porque tu falas muito" e vira costas ao que eu estou a dizer!

Ser mãe (também) é ter de ouvir isto...

Estávamos nós na nossa rotina de deitar, que tem funcionado muito bem: contar uma história ao colinho, no sofá do quarto ("Ruca e o Esconderijo Secreto" já dura há 2 semanas!), caminha, cantar umas canções infantis (o repertório já vai tãaao extenso que temos de limitar o número) e então dormir, sossegadito, como tem sido, para não acordar o G.. Estávamos, como ia a dizer, na fase final da rotina, quando me diz "quero a ambulância"; "ó filho não, está lá em baixo, tens aí o carro do Noddy". "Uuuuaaáaaaa!!!!!". "Shiu que acordas o mano!; porque é que estás a chorar?". Então cala-se, como por magia, e diz, muito sério, sem ponta de choro ou choraminguice:
-"Ninguém gosta de mim. Tu não gostas de mim. Estás sempre a ralhar-me."
Bem podia ter-me espetado uma faca no coração, e retorcido! Doeu muito! E eu a saber que não é sentido, ou pelo menos justificado. Nós NUNCA usamos sequer a expressão "se te portas mal não gosto de ti". NUNCA! Por que raio é que ele fez aquela suposição?
Abeirei-me da cama e disse-lhe que gostava muito dele, que sempre gostaria dele, e o pai também, mas que tínhamos de ralhar quando se porta mal. E ele pediu um beijinho, e eu dei-lhe muitos, virou-se para o outro lado e dormiu.
Coração de mãe sofre...

Saudades?

Estava há dois dias sem ver o pai. Estava ansioso para chegar a casa e brincar com ele.
O pai em casa à espera, ansioso por o ver.
Chega a casa, corre a procurar o pai. Assim que o vê, antes de correr para ele e pedir para ir jogar à bola, pára e diz:
- Outra vez com essa roupa?! É impossível!*




* Dito com um ar extremamente agastado!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Do fim de semana

Foi bom.
Sábado, a festa do P.A.. O G. dormiu o tempo todo. O M. fartou-se de brincar até à meia noite! Sempre impecável, muito bem disposto, um doce (como é sempre, na verdade).
Domingo, P. a trabalhar de manhã, nós três em casa. Tranquilidade, boa disposição. Assim é que devia ser sempre. À tarde, a tia A. aparece com o presente de aniversário: uma baliza GIGANTE! Ele delirou e passou o (longo) tempo todo de montagem "já está, a minha baliza?". Depois fartou-se de marcar golos. Ao fim da tarde, A. e K. aparecem para jantar, o que é sempre motivo de muita alegria por parte do M. Para coroar um dia perfeito, o jantar: pizza, feita em casa!

No fim, foi para a cama tranquilo, contei história, cantei canções e adormeceu, ainda a tempo de permitir ao pai e à mãe um tempinho para namorar...
Podia ser sempre assim, por favor?

sábado, 21 de agosto de 2010

Noite da avó

Desde que o M. deixou de acordar de noite para comer, declarámos 6ª feira a Noite da Avó. Dorme lá e passa grande parte de sábado com ela. Normalmente vamos buscá-lo depois da sesta.
Para nós foi bom, pudémos voltar a sair, jantar fora, etc. Para ele e para a avó também. Criaram rotinas deliciosas, que ele adora contar assim que o vamos buscar. E é bom sentir saudades, e depois matá-las!
Ontem, depois da péssima manhã e do imenso sentimento de culpa, disse à minha mãe que talvez fosse melhor ir eu buscá-lo. Ela disse que tinha planeado ir à praia com ele, que seria bom. E assim ele ficou lá.
Liguei hoje à hora do almoço. Estavam em Espinho! Tinham andado de combóio, passado a manhã na praia e estavam agora num restaurante a almoçar! Tantas coisas fixes! Falei com ele "tens saudades?" (o velho sentimento de culpa); "não, mãe, vou comer batatas fritas!". E é assim que se percebe que, afinal, temos que relativizar um pouco as coisas. Ele passou uma manhã divertidíssima (muito mais do que se tivesse ficado em casa, onde quando muito teríamos ido ao parque), sem sentir nenhuma falta nossa, e eu aqui a pensar isto e aquilo.
Vamos buscá-lo depois da sesta, para irmos a casa do P.A., festa de aniversário (as preferidas do M.). E sei que vou tentar mimá-lo e abraçá-lo e dar muitos beijinhos e ele vai querer ir brincar com a naturalidade pura das crianças, de quem não guarda ressentimentos.
"Habitua-te S., que ser mãe é assim mesmo".
Mas não trocava por um dia sem ter filhos. :-)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Começar o dia...

... a ralhar com ele, a gritar, a zangar-me para ele beber o leite...
Não é assim que devia ser. Sinto-me tão mal. Estas noites más e fins de tarde sem o pai estão a dar comigo em doida! E eles é que pagam. Sinto-me a pior mãe do mundo, às vezes esqueço-me que ele tem apenas 3 anos e que não pode estar sempre a ouvir "não mexas nisso", "faz pouco barulho, não acordes o mano". Ele não merece, é um bom menino e eu preciso de me controlar mais.
Desculpa esta manhã, M..
(hoje só me apetece chorar...)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ressaca

Zero paciência ao fim do dia.
O P. estava a trabalhar, salvou-me a minha mãe que veio jantar comigo e os miúdos. As birras (imensas) do M. rebentavam-me a cabeça. Eu parecia um autómato. Impossível foi dormir a sesta durante o dia. Assim que adormeceram os dois (ao mesmo tempo, depois de uma hora no quarto!), fui-me deitar. Nem esperei que o P. chegasse.
A noite foi mais tranquila, se bem que o G. tem acordado inexplicavelmente. Que se passa com o meu bebé tranquilo, que só acordava para comer?
Hoje vai ser um dia melhor (?), vou estar outra vez sozinha com eles, mas vai tudo correr bem! :-S

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Relato de uma noite

Deitámo-nos às 2. Ficámos a ver um filme. Antes de deitar, fui dar mama ao G.. Pensei "assim durmo ate às 7." Era pouco, mas valeu a pena termos visto um filme juntos (coisa rara, hoje em dia).
4 horas, acordo com o M. a chorar. Vou a correr, para não acordar o G.. Queria água. Desço à cozinha buscar. Depois queria o camião do lixo. Que não, não ia outra vez lá abaixo. Choro. Ralhete. Acorda o G.. Para não haver mais alarido, ponho-o à mama. Mama como se não mamasse há séculos. O M. chora, queria que eu me deitasse com ele. "Larga o mano". Xiu e promessa de que se se deitar, quando acabar deito-me com ele (tem resultado, ele acaba por adormecer logo). "Quero fazer xixi", "Faz filho, tens a fralda". Molhou-se todo. Acabar a mamada, por o G. na caminha ainda acordadíssimo, pegar no M., mudar pijama e fralda, ignorar a pequenina mancha de molhado na cama, deitar com ele. "Quero o camiãaaaooooo!". Choro, ralhete, G. ainda acordado. Foi assim até às 6. Consegui ir para a minha cama. Às 7, acorda o G.. Mama na minha cama. Acordamos às 8.
Total de horas dormidas: 2 + 1 + 1, o que não é o mesmo que 4, não senhor!
E não, não me sinto zombie. Mas mais vale uma sesta à tarde do que zero paciência ao final do dia...

E ao segundo dia...

...nem sinal do Sr. Vírus. Dia perfeitamente normal, com as asneiras do costume. Voltou hoje à escola. :-)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Da maleita

Uma da manhã, 39ºC, com Paracetamol há menos de 4 horas! Acorda, Brufen, água, "não gostei deste, mãe", dorme de novo. Dormiu tranquilo a noite toda. Acordou sem ponta de febre. Anda por aqui a brincar, como se nada fosse.

Vamos ver este final de tarde...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Segundo filho

Ao segundo filho, apercebo-me de uma coisa que me desagrada, e que para mim não faz sentido. As pessoas, os amigos, dão muito menos importância ao G. do que deram ao M.. E não só em termos de prendas, onde isso é evidente. Mas o simples facto de ele ter quase 4 meses e ainda haver amigos (vários) que não o conhecem, entristece-me. Ele é uma pessoinha, com muito sentido de humor, delicioso, e ainda há quem não tenha querido conhecê-lo. E tenho medo que ele venha a sentir isso ao longo da vida.
A minha irmã sempre sentiu que era menos do que eu para uma parte da família (família essa que foi devidamente "alienada" das nossas vidas). E eu não quero que os meus filhos vivam com isso. A avó J. já faz isso. Quando dá uma nota ao M., dá uma menor ao G.. Quando eles começarem a perceber isto, vou ter de tomar uma atitude. Não posso permitir que minimizem nenhum dos meus filhos.
É absurdo, simplesmente absurdo.

"Estou triste, mãe..."

Chegou da escola bem disposto, com a avó. Brincou, comeu bolachas, vimos fotos, sempre alegre. Subi para dar banhoca ao G., ele ficou no meu quarto a ver televisão. Deitei o G.. Fui ter com ele. "Estou triste, mãe.". Estava a ferver! Termómetro: 38,8ºC. Paracetamol (baixou um pouco), sopinha, banho e caminha da mãe. Ainda não eram 9 horas e já estava a dormir. Disse-lhe que podia choramingar se quizesse, e quiz. Tadinho do meu menino...
Só um aviso: Sr. virus que está a provocar maleitas ao meu M., duas coisinhas apenas:
  1. Deixa o meu menino grande em paz!
  2. Livra-te de chegares sequer perto do meu bebé!

Estamos entendidos??

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Reorganização de planos

Voltámos de férias e encarámos a situação em que nos encontramos (de novo). E por causa disso reorganizámos/cancelámos planos feitos há muito e que nos iam dar muito gozo fazer.

Já não vamos ver G'NR. Ficamo-nos por ir ver Arcade Fire. Tínhamos planeado ir juntos a ambos os concertos. G'NR porque desperta em nós memórias da nossa história juntos, Arcade Fire porque prevemos que seja inesquecível. Mas a somar ao preço dos bilhetes, a ida a Lisboa implica custos...
Já não vamos ao Avante!. Começámos por "justificar" com o "mau jeito" que é ir com os dois miúdos. Mas a verdade é que era uma tradição nossa e eu ansiava por ir este ano. O M. foi com 1 mês e meio. O G. iria com 4. Daria muito trabalho e exigiria muita logística, mas seria memorável, como foi sempre que fomos com o M.. Dançaríamos a Carvalhesa. Além de que tínhamos encontro marcado com amigos que não vemos há muito, e que marcaram viagem para estarem lá, connosco. Amigos queridos, que não vamos ver este ano.


Por agora, ficam as recordações...




Férias, parte II




Voltámos.

Foram dias de alegria. Éramos três mães e cinco (5!) crianças (3 anos, 2 anos, 1 ano e meio, 3 meses e 4 semanas!). Saímos destas férias muito pouco descansadas, mas muito satisfeitas, com grande sensação de "conseguimos!". Cinco meninos não é fácil. As idades são críticas e constatámos que as birras são contagiosas. Sempre que saíamos de casa com mais do que um miúdo, era o caos. O M., que sempre se portou lindamente na rua, foi caótico.

Mas o outro lado foi muito bom. Banhos de tanque várias vezes ao dia, com o M. muito orgulhoso de ter pé nesta "piscina especatular, mãe!". Muita brincadeira com o Mico, o cão mais simpático para putos que já conheci (ultrapassa a Zippy!). Entre si, os miúdos deram-se bem. Ainda brincam muito sozinhos, mas a verdade é o M., uma tarde que passou sozinho comigo e o irmão, parecia que andava perdido, sem a F. e o D.. Sestas de 3 horas (a nossa hora zen, como lhe chamávamos), deitar tarde e acordar cedo (8 horas foi o recorde).

O M. fazia uma coisa tão gira. Sempre que se dirigia às outras mães para dar algum recado meu, dizia "A S. pediu um prato para as sardinhas", ou "A S. pediu o protector solar". Altamente! Como se no meio de tantas mamãs ele se quizesse certificar de que sabiam qual mãe ele estava a referir. Tão engraçado!
Obrigada E. por nos teres proporcionado uns dias tão bons ;-).

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O sono dos anjos


O G. adormece sempre assim. Depois de acalmar, começa a esfregar a cara na fralda (então se for uma usada na mamada, com cheirinho, melhor ;-)) e a fazer uns barulhinhos deliciosos, como um arrulhar, para embalar até adormecer. E depois entrega-se, sempre assim, todo torto.
É lindo!

Vão todos à M#&%"*

Outra vez! Acabou tudo outra vez!
É impressionante! E frustrante!
Pouco depois de o G. nascer, liga o patrão: "ah, vou precisar do carro de serviço, sabe como é, há carros a ir para a oficina e tal...". Ok chefe, certo, o carro é seu, esqueça o combinado, eu cá me arranjo. Passadas umas semanas "ah, e tal, precisava de trazer o PDA, porque blá blá blá...". Ok chefe, certo, eu cá meto o cartão da empresa no meu telemóvel, deixe lá isso. Ontem: "ah, e tal, vou precisar do PC, preciso instalar um não sei quê, blá blá...". Ok chefe, venha cá buscá-lo, esqueça os mails que tenho de receber e responder, deixe lá.
Veio cá. Trazia uma carta. "Era para registar, mas achei melhor trazer e falar pessoalmente". E depois veio o relambório de sempre "... a crise... quebras na facturação... gostamos muito de si, mas... se quiser trabalhar como comissionista, a ver o que se arranja..."
Ora PORRA! Ora PORRA! Já começo a achar que não tenho futuro. Nenhum. E que não, não posso ter filhos e pensar em criá-los, que vem sempre alguém dizer "ah, e tal, achas que é diferente de todos nós? Então toma lá o desemprego a ver se ainda te apetece ter mais um filho! Ninguém se pode dar a esse luxo! Tens um e pronto, como todos nós! Uma casa no Porto, com jardim? Não, muda-te para um T2 na periferia e cria lá a tua ninhada!"
Mas pronto, a ver. Tenho uma amiga na mesma situação. E já tivemos umas ideias, a ver...
PORRA!

António Feio

Há pessoas que nós não conhecemos mas que nos fazem falta. O António era uma delas. Sempre que o via, provocava-me um sorriso.

Um homem de coragem, que lutou, lutou e perdeu. Mas foi até ao fim com uma força visível no humor com que publicamente enfrentou a sua situação. Aqui fica um belo exemplo disto.

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Vou sentir a sua falta

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Noutra perspectiva...

Odeio pessoas que conseguem condicionar a boa disposição de toda a gente com mau feitio! E odeio o facto de eu, por estar sempre a evitar o confronto, o conflito, deixar passar isto impune demasiadas vezes.

Dias Felizes













Ahhh, férias... Esse bem tão precioso...
Foram óptimas. Tempo sem tempo marcado, só para nós e os miúdos. Eles cresceram tanto. O M. divertiu-se tanto. Tivemos direito a duas festas de aniversário (pai e filho), para grande excitação do filho. Teve direito a bolo de chocolate com "Pintarolas, mãe! Gosto tanto!". E piscina, e praia, e correr e brincar o dia todo.

O G. também cresceu. Veio do Alentejo um bebé risonho, amante de boa companhia.

E a casa, e a calma... Quero mais!!!

Estávamos a precisar deste tempo em família, longe das rotinas e do stress do dia-a-dia. E para a semana vamos outra vez, desta vez sem pai, só a mãe e as crias, com outra mãe e sua cria. Antevêem-se dias de sol, água e brincadeira. Mal podemos esperar!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Fim de tarde perfeito





Ele ficou tão orgulhoso. Depois jantámos no jardim e ele olhava e dizia: "está tão lindo o nosso jardim..." A sua primeira árvore. Espero que cresçam muito juntos.

A chegada do G. (continuação)




No bloco de partos conheci a equipa de 2 enfermeiras que me iriam acompanhar. Acharam que eu estava demasiado relaxada. E de facto estava. Despi-me, fui tomar um duche enquanto esperava que o P. chegasse. Ele chegou todo afogueado, tentando aparentar uma calma que sei que não sentia :-). E eu andava, de um lado para o outro, a sentir cada contracção com alegria. Cheguei a dizer "se isto é assim, não quero epidural nenhuma". Pois, mas não foi sempre assim. Começaram a doer a sério e aí eu pedi a epidural. Sempre relaxadíssima. O que eu não me lembrava era do tempo que demorava a colocar o cateter e começar a administrar a droga! As contracções estavam a menos de 2 minutos de intervalo, pelo que a anestesista tinha de parar constantemente o que estava a fazer. E sempre a dizer "o que quer que faça, não se mexa!". Que stress! Doíam tanto e eu não me podia mexer! Pareceu-me uma eternidade. Cheguei a dizer-lhes (gritar-lhes) "Eu vou perder o controlo!". Até que a droga entrou. Ah felicidade! Ah alívio! Melhor ainda, ainda sentia perfeitamente as contracções, não estava com dormência nas pernas. Iria poder colaborar. Pouco depois começo a ter uma pressão enorme no fundo da barriga e elas dizem-me "É agora, ele vem aí!". Uau! Este momento é de uma enorme expectativa. É dos melhores momentos do parto. Sabemos que a razão de tudo o que aconteceu até ali está a chegar. E comecei a puxar. É incrível a sensação. Parece que é impossível fazer nascer um bebé tão grande! Puxo, puxo mas continua a parecer "impossível, ele não cabe ali, é impossível!". Até que o ouço. E logo de seguida, sai o corpo todo dentro de mim e solto um grito. E as emoções vêm todas ao mesmo tempo, enquanto mo põem em cima de mim e eu olho para ele. O G.. As mãos, iguais às minhas. Os pés, enormes. A cara, tão diferente do M.. E a paixão vem.






Nasceu às 19h20m. Nesse dia não houve visitas, descansei a noite toda. No dia seguinte, só queria ver o M. Que saudades que tive dele de repente! O meu menino grande! Ele chegou ao fim da tarde, com a avó e a tia. Abracei-o tanto! Ele interessou-se logo pelo bebé. E depois foi embora com o pai, a avó e a tia tranquilamente. E eu descansei. Iria tudo correr bem.

domingo, 18 de julho de 2010

A chegada do G.




E chegou o dia 27 de Abril. Era dia de consulta na Maternidade. O G. tinha falhado a nossa "meta" do dia 25, pelo que já o esperava para o 1º de Maio!

Fui com a minha mãe. Tudo normal, o P. tinha feito noite e eu estava sem sinais nenhuns. No CTG um susto: numa contracção (muito frequentes nas últimas semanas), o ritmo cardíaco do G. baixa perigosamente. Na consulta, a médica faz o toque, está tudo na mesma, mas diz-me para não ir para casa. "Almoce aqui perto e venha depois à urgência repetir o CTG". Ok. A minha mãe foi embora e eu fui a uma cafezito comer qualquer coisa. Depois ainda fui tirar o carro do estacionamento "a pagantes" e pô-lo na rua. Depois fui à urgência. Enquanto esperava para ser vista, reparei que as contrações afinal incomodavam um bocadinho e que até eram frequentes. Comecei a monitorizar: frequência de 4 minutos! Fui logo procurar uma enfermeira (encontrei uma que me tinha dado uma aula de preparação para o parto!).
- "Enfermeira, tem de me fazer já o toque, acho que esou em trabalho de parto!"
- (a rir-se) "Venha. Nunca vi uma mãe com tanta pressa para fazer este exame!"

E era verdade, estava dilatada e em pleno trabalho de parto. Fui fazer o CTG a ver se se repetia a situação de manhã, mas não, tudo estava bem com o bebé. E então invadiu-me o sorriso, a vontade de que seja rápido, ia ver o meu filho muito em breve! Chamei então o P.. E avisei quem era importante. E suspirei. Desapareceram todos os receios.

(continua)

E depois veio o G.


Logo após o nascimento do M., senti que a família não estava completa ainda.

Entretanto o M. foi crescendo, a vida complicava (O mercado laboral em Portugal é uma vergonha! E não me venham falar de crise, é assim desde que eu estou lá inserida!). Até que chegámos juntos a uma conclusão. Não podíamos esperar que aparecesse "aquele" emprego se queríamos ter mais filhos. Não há situações perfeitas para trazer filhos ao mundo, e se estivermos à espera delas, o mais provável é que nunca o consigamos. E foi com este espírito que decidimos fazer mais um bebé.

Mas, se o M. foi concebido numa noite de feliz descuido, já o G. se revelava difícil de surgir. O stress da situação de desemprego levou-nos a uma frustante espera de 6 meses. Até que veio uma proposta de trabalho com que há muito sonhava. E na mesma semana, a concepção do G.

Assim que soube, a felicidade invadiu-me. E também os receios. É incrível, do M. nunca tive um receio, sabia que tudo ia correr bem, nem me passou nunca pela cabeça que não pudesse ser assim. Do G. não. Parecia que sabia tudo o que poderia correr mal e esperava constantemente que acontecesse alguma coisa. E depois vieram os sintomas da gravidez (ausentes da primeira). Muitos enjoos, muito cansaço. E depois a dúvida: será que vou conseguir fazer isto? Dar colinho a dois? Senti-me culpada pelo M. Ele iria sofrer tanto e eu não iria conseguir evitá-lo. Uma desgraça! E o tempo foi passando. O M. ajudou-me muito nisso. Preparou-se para a chegada do irmão crescendo. Deixou a xuxa sem nenhum drama e uma semana depois, ao encontrar uma perdida cá por casa, disse que ia guardar para dar ao mano. E deixou as fraldas por iniciativa própria, 3 meses antes da chegada do G.

E assim foram passados 9 meses. Com muito cansaço (cuidar de um miúdo de 2 anos carregando uma barriga não é fácil!), com a barriga destruída (malditas estrias!), mas com muita espectativa!

(continua)

sábado, 17 de julho de 2010

Lembranças passadas IV

(escrito em 12/12/2007)

Ser mãe é maravilhoso. Não tenho tempo para mim, não durmo mais de 4 horas seguidas, ele vem sempre à frente de tudo, chego à noite estafada. Mas não custa nada, nada! Nunca imaginei tal coisa! Tudo é feito com prazer, sem pensar duas vezes.

O meu filho é um bebé muito doce. Simpático e carinhoso, adora um miminho. Dou-lhe todo o colo que quer e acho que isso faz dele um bebé sereno, confiante. Custa-me ver os bebés sempre enfiados nas cadeirinhas, sem calor de ninguém. O M. usa muito pouco o carrinho, anda muito ao colo, no pano. Decidi ignorar todas as pessoas que me dizem que o colo estraga os meninos (e são tantas...). O M., com calma, tempo e colo, é um bebé feliz, relaxado, que aprendeu a dormir sozinho, na cama dele, que adora um mimo, e que não chora quando é colocado na cadeirinha. Eu arriscaria dizer que o meu filho é perfeito. saudável, come muito bem (adora a maminha), dorme muito bem de noite (acorda para comer). E eu amo-o tanto!Adoro olhar para ele. Revejo-me nos olhos dele. E é uma sensação maravilhosa ver a adoração que ele sente por mim.
Ser mãe é, de facto, extraordinário!

Lembranças passadas III




(escrito em 24/08/2007)

Faz hoje 4 semanas que conhecemos o M. Foi uma 6ª feira, 27 de Julho.

Ele chegou sem avisar. Já tinha dilatação há duas semanas e nada acontecia. Uma semana antes, fartei-me de dançar a ver se ele se resolvia e nada.

Aquela 5ª feira acordou como outro dia qualquer. Só que à hora do almoço eu ainda não tinha sentido nenhum movimento dele. Depois do almoço fui à Maternidade. Fiz o CTG, ele estava bem, mas com muito poucos movimentos. Fui para a Eco e a médica diz que o bebé está quase sem líquido e se nada acontecer, na manhã seguinte seguimos para indução. Mas de qualquer forma, eu já não saio dali para lado nenhum.Eu sentia-me calma, bastante mesmo. Depois a médica observou-me e disse que eu tinha 5cm de dilatação, e que já estava em trabalho de parto, não ia ser preciso induzir! Aí senti um alívio muito grande e uma calma feliz, ia conhecer o meu bebé muito em breve. Liguei ao P. para vir ter comigo, depois à minha mãe e à M. e à A. a contar a novidade.
Dei entrada no bloco às 17h30m. Seguiram-se depois muitas horas de espera com contrações fáceis de controlar, sem grande sofrimento. Por volta das 22h aceitei a epidural. Penso que foi cedo de mais, pois o trabalho de parto, que se estava a derenrolar muito bem, abrandou muito. Depois foram horas e horas sem nada a acontecer, e o cansaço a apoderar-se de mim. E o P. sempre ali, a aguentar aquela espera. Cerca das 9h da manhã, pedi um reforço da epidural, as dores estavam a começar a apertar mesmo. O reforço veio e aumentou a dormências nas pernas e a ausência de sensações. Às 10h30m a parteira observou-me e disse para eu começar a puxar, ele vinha aí! Eu não acreditei, não sentia absolutamente nada! Toda a força que eu fazia me parecia completamente inútil, porque estava incapaz de sentir qualquer avanço. A fase final foi muito confusa. As enfermeiras é que me diziam quando deveria fazer força. E então comecei a vomitar... Que desconforto tão grande... De repente dizem-me para eu parar de fazer força e ouço um choro! A cabeça estava cá fora! Foi um momento de muita ansiedade, até que senti os ombros a passarem e o corpo todo a sair de dentro de mim. E ele berrava! Eu agarrei-lhe uma perna e cheirei-a e beijei-a, enquanto o P. cortava o cordão. Lembro-me de olhar para a cara do M. e ver a cara do P.
Eu só o queria comigo, abraçá-lo, sentir o seu calor. Todo o processo de o tratar e vestir demorou cerca de meia hora, em que o P. assumiu o papel de coruja e eu assistia, de longe. Foi muito bom... Depois finalmente deram-me o M. e eu pude vê-lo todo, oferecer-lhe a mama e partilhar o meu calor com ele. Ele era lindo! Lindo! A partir daquele momento reconhecê-lo-ia em qualquer parte do mundo! Senti-o como meu e só aí as emoções tomaram conta de mim e o amor nasceu e começou a crescer. Ainda hoje cresce...

Lembranças passadas II




(escrito em 25/05/2007)

Ontem foi dia de aniversário.
30 anos. 30 semanas. 7 meses.
Olho para o espelho e surpreendo uma miúda, com uma barriga enorme, a preparar-se para ser mãe. Mas aos olhos do mundo sou uma mulher. Mas não acredito no mundo. Sinto-me uma miúda. A brincar à vida de gente grande. Tenho um namorado que sinto com o carinho e leveza de um namorado e não com o peso e fatalidade de um marido. Tenho um filho. Sinto-o com alegria e leveza, ao contrário do peso da responsabilidade que deveria (?) viver. E tenho orgulho, e sinto alegria ao ver que o tempo passa e eu não me vou tornando cinzenta como a maralha.

O M. agora segue-me todo o dia, todos os dias, em qualquer sítio. E os movimentos já não são tímidos e reservados, mas visíveis, impossíveis de ignorar. E é uma sensação tão boa... Uma sensação de que não estou só, que consigo comunicar com ele. É única e realmente um privilégio de quem é mãe.

Noutra perspectiva: estou desempregada. Andei desesperada, deprimida e muito zangada. Agora, tem dias. Mas a situação vai ser muito difícil. Não foi assim que desejei que o M. viesse ao mundo. Espero ter força espiritual nos meses que se seguem. Por mim, por nós três. Sim, somos três!
Uma família a nascer.
A minha família.
:-)

Lembranças passadas I

(escrito em 18/03/2007)

M. - 20 semanas e 4 dias.

Agora sinto. Sinto os murros subtis e tímidos que ele me dá, mas mais importante, sinto-me pronta para o receber. E o pai também.
Não foi fácil. Teve de haver muito ajustamento mental e ainda vai haver mais. Mas começa-se a instalar a calma e o prazer de prever o que o futuro vai trazer.
O meu corpo está a mudar, a preparar-se e eu gosto muito. É de facto o que dizem: o 2º trimestre é um tempo de calma e gozo. Nada incomoda, a barriga cresce e com ela os elogios, que sabem tão bem... E o momento da ecografia é dos mais emocionantes. Lá está ele, mexe-se, tem metade do tamanho que terá ao nascer, pesa quase meio kilo de gente. E é espectacular!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O início

Já passaram mais de 16 anos desde o dia em que resolvi arriscar de novo um beijo. Um beijo no cinema, inocente e sem ser muito pensado. Mas foi muito vivido. Depois desse beijo, o reencontro, 2 dias depois. Um reencontro embaraçoso. Eu não fazia ideia do que queria fazer. Ele deciciu por mim. E eu embarquei. Sem levar muito a sério. Algum tempo depois, demos um passo em frente. Algo mudou a partir daquele dia, pelo menos para mim... Iniciámos um processo maravilhoso, de crescer juntos, descobrir o mundo juntos, começar uma família juntos. Sinto que dura até hoje.