sábado, 17 de julho de 2010

Lembranças passadas IV

(escrito em 12/12/2007)

Ser mãe é maravilhoso. Não tenho tempo para mim, não durmo mais de 4 horas seguidas, ele vem sempre à frente de tudo, chego à noite estafada. Mas não custa nada, nada! Nunca imaginei tal coisa! Tudo é feito com prazer, sem pensar duas vezes.

O meu filho é um bebé muito doce. Simpático e carinhoso, adora um miminho. Dou-lhe todo o colo que quer e acho que isso faz dele um bebé sereno, confiante. Custa-me ver os bebés sempre enfiados nas cadeirinhas, sem calor de ninguém. O M. usa muito pouco o carrinho, anda muito ao colo, no pano. Decidi ignorar todas as pessoas que me dizem que o colo estraga os meninos (e são tantas...). O M., com calma, tempo e colo, é um bebé feliz, relaxado, que aprendeu a dormir sozinho, na cama dele, que adora um mimo, e que não chora quando é colocado na cadeirinha. Eu arriscaria dizer que o meu filho é perfeito. saudável, come muito bem (adora a maminha), dorme muito bem de noite (acorda para comer). E eu amo-o tanto!Adoro olhar para ele. Revejo-me nos olhos dele. E é uma sensação maravilhosa ver a adoração que ele sente por mim.
Ser mãe é, de facto, extraordinário!

Lembranças passadas III




(escrito em 24/08/2007)

Faz hoje 4 semanas que conhecemos o M. Foi uma 6ª feira, 27 de Julho.

Ele chegou sem avisar. Já tinha dilatação há duas semanas e nada acontecia. Uma semana antes, fartei-me de dançar a ver se ele se resolvia e nada.

Aquela 5ª feira acordou como outro dia qualquer. Só que à hora do almoço eu ainda não tinha sentido nenhum movimento dele. Depois do almoço fui à Maternidade. Fiz o CTG, ele estava bem, mas com muito poucos movimentos. Fui para a Eco e a médica diz que o bebé está quase sem líquido e se nada acontecer, na manhã seguinte seguimos para indução. Mas de qualquer forma, eu já não saio dali para lado nenhum.Eu sentia-me calma, bastante mesmo. Depois a médica observou-me e disse que eu tinha 5cm de dilatação, e que já estava em trabalho de parto, não ia ser preciso induzir! Aí senti um alívio muito grande e uma calma feliz, ia conhecer o meu bebé muito em breve. Liguei ao P. para vir ter comigo, depois à minha mãe e à M. e à A. a contar a novidade.
Dei entrada no bloco às 17h30m. Seguiram-se depois muitas horas de espera com contrações fáceis de controlar, sem grande sofrimento. Por volta das 22h aceitei a epidural. Penso que foi cedo de mais, pois o trabalho de parto, que se estava a derenrolar muito bem, abrandou muito. Depois foram horas e horas sem nada a acontecer, e o cansaço a apoderar-se de mim. E o P. sempre ali, a aguentar aquela espera. Cerca das 9h da manhã, pedi um reforço da epidural, as dores estavam a começar a apertar mesmo. O reforço veio e aumentou a dormências nas pernas e a ausência de sensações. Às 10h30m a parteira observou-me e disse para eu começar a puxar, ele vinha aí! Eu não acreditei, não sentia absolutamente nada! Toda a força que eu fazia me parecia completamente inútil, porque estava incapaz de sentir qualquer avanço. A fase final foi muito confusa. As enfermeiras é que me diziam quando deveria fazer força. E então comecei a vomitar... Que desconforto tão grande... De repente dizem-me para eu parar de fazer força e ouço um choro! A cabeça estava cá fora! Foi um momento de muita ansiedade, até que senti os ombros a passarem e o corpo todo a sair de dentro de mim. E ele berrava! Eu agarrei-lhe uma perna e cheirei-a e beijei-a, enquanto o P. cortava o cordão. Lembro-me de olhar para a cara do M. e ver a cara do P.
Eu só o queria comigo, abraçá-lo, sentir o seu calor. Todo o processo de o tratar e vestir demorou cerca de meia hora, em que o P. assumiu o papel de coruja e eu assistia, de longe. Foi muito bom... Depois finalmente deram-me o M. e eu pude vê-lo todo, oferecer-lhe a mama e partilhar o meu calor com ele. Ele era lindo! Lindo! A partir daquele momento reconhecê-lo-ia em qualquer parte do mundo! Senti-o como meu e só aí as emoções tomaram conta de mim e o amor nasceu e começou a crescer. Ainda hoje cresce...

Lembranças passadas II




(escrito em 25/05/2007)

Ontem foi dia de aniversário.
30 anos. 30 semanas. 7 meses.
Olho para o espelho e surpreendo uma miúda, com uma barriga enorme, a preparar-se para ser mãe. Mas aos olhos do mundo sou uma mulher. Mas não acredito no mundo. Sinto-me uma miúda. A brincar à vida de gente grande. Tenho um namorado que sinto com o carinho e leveza de um namorado e não com o peso e fatalidade de um marido. Tenho um filho. Sinto-o com alegria e leveza, ao contrário do peso da responsabilidade que deveria (?) viver. E tenho orgulho, e sinto alegria ao ver que o tempo passa e eu não me vou tornando cinzenta como a maralha.

O M. agora segue-me todo o dia, todos os dias, em qualquer sítio. E os movimentos já não são tímidos e reservados, mas visíveis, impossíveis de ignorar. E é uma sensação tão boa... Uma sensação de que não estou só, que consigo comunicar com ele. É única e realmente um privilégio de quem é mãe.

Noutra perspectiva: estou desempregada. Andei desesperada, deprimida e muito zangada. Agora, tem dias. Mas a situação vai ser muito difícil. Não foi assim que desejei que o M. viesse ao mundo. Espero ter força espiritual nos meses que se seguem. Por mim, por nós três. Sim, somos três!
Uma família a nascer.
A minha família.
:-)

Lembranças passadas I

(escrito em 18/03/2007)

M. - 20 semanas e 4 dias.

Agora sinto. Sinto os murros subtis e tímidos que ele me dá, mas mais importante, sinto-me pronta para o receber. E o pai também.
Não foi fácil. Teve de haver muito ajustamento mental e ainda vai haver mais. Mas começa-se a instalar a calma e o prazer de prever o que o futuro vai trazer.
O meu corpo está a mudar, a preparar-se e eu gosto muito. É de facto o que dizem: o 2º trimestre é um tempo de calma e gozo. Nada incomoda, a barriga cresce e com ela os elogios, que sabem tão bem... E o momento da ecografia é dos mais emocionantes. Lá está ele, mexe-se, tem metade do tamanho que terá ao nascer, pesa quase meio kilo de gente. E é espectacular!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O início

Já passaram mais de 16 anos desde o dia em que resolvi arriscar de novo um beijo. Um beijo no cinema, inocente e sem ser muito pensado. Mas foi muito vivido. Depois desse beijo, o reencontro, 2 dias depois. Um reencontro embaraçoso. Eu não fazia ideia do que queria fazer. Ele deciciu por mim. E eu embarquei. Sem levar muito a sério. Algum tempo depois, demos um passo em frente. Algo mudou a partir daquele dia, pelo menos para mim... Iniciámos um processo maravilhoso, de crescer juntos, descobrir o mundo juntos, começar uma família juntos. Sinto que dura até hoje.