Com o M. está tudo OK. Muito alto, magrinho, mas de excelente saúde.
Tinhamos, no entanto, uma preocupação: a situação Avô.
Há já algum tempo que o M. me perguntou pelo avô. Ou melhor, rodeou tanto o assunto que eu tive de lhe pedir para me fazer as perguntas que queria. Então expliquei-lhe como melhor sabia. O avô A. tinha morrido há muito tempo, porque era muito velhinho, e o avô G. tinha ido embora, não sabíamos dele. Na altura, ele pareceu entender a explicação e ficámos por aí.
Mas entretanto, vem desenvolvendo umas conversas que me incomodam por não saber lidar com elas. "ontem fui a casa do meu avô G. e ele tinha lá um carro espectacular!", ou "a casa do meu avô G. é verde e tem uma porta castanha", ou "quando o meu avô G. me veio buscar à escola...". Eu não sabia o que responder. Se sabia que era mentira, se embarcava na história, sei lá! Mas a minha preocupação era que claramente a história não estava resolvida na cabecinha dele (se não está na minha, como é que podia estar na dele?).
Falámos ao Pediatra e ele desdramatizou. Disse que era normal nesta idade as crianças desenvolverem relações com amigos imaginários, como forma de viverem em fantasia situações que gostaríam de viver. E neste caso, claramente o amigo imaginário é o avô G.. Portanto, nada de dar demasiada importância. Nem desmentir, nem embarcar nas descrições. E, claro, ir respondendo a perguntas que possam surgir, conforme seja possível.
Isto fez-me voltar a pensar num assunto, que eu pensava fechado, com mágoa. Ele agora faz-me mais falta porque faz falta aos meus filhos. E sei que vou ter de passar por tudo isto de novo com o G.
Não o odeio, mas penso nele cada vez com mais mágoa.