Hoje estou de rastos. Tenho de manter a atitude positiva, a minha mãe está a afundar e eu tenho de a manter à tona a todo o custo.
Perdi o meu pai. No sentido literal. Ele não morreu para o mundo, simplesmente morreu para mim. Não, é pior ainda. Se ele estivesse morto, chorava-o e recordava-o para sempre. Diria aos meus filhos que tiveram um avô que era muito bom e que gostaria muito deles se estivesse vivo. Mas não posso fazer isso. Tenho um pai sacana, no mínimo.
Cada palavra destas fere-me imensamente.
O meu pai agora tem 4 filhos. Uma, ele ignorou desde o nascimento. Outra, ele elevou aos píncaros para depois descartar, invejar, odiar (eu). Outra, além disto tudo, conseguiu metê-la num poço tão fundo donde ainda (hoje) não se sabe como se sai. O 4º é um bebé. Nascido do mais sujo dos enganos, mas não consigo evitar querê-lo. Tenho muita pena dele. É um menino que merece ter um bom pai e não tem. Espero sinceramente que tenha uma mãe melhor, que seja um décimo da minha mãe.
O meu pai é mau. Muito mau. E eu só quero chorar e não posso. Ninguém entende o que eu sinto, além da minha mãe e da minha irmã. e ironicamente é delas que eu tenho de esconder tudo, porque estão muito pior que eu, e alguém tem de parecer estar a reagir.
Estou neste processo há mais de um mês. Mas, no fundo, estou desde que nasci, só que ninguém percebeu. Enquanto criança ( e ainda estou tentada a ir por aí), sempre pensei que o meu pai sabia as coisas todas, de tal forma que quando ele deixou entrar de novo em nossa casa um tio que, meses antes, tinha assediado as suas duas filhas crianças, com as palavras mais nojentas que ainda hoje não repito, achei que, se o meu pai não tinha medo, eu também não deveria ter. A esse tio nunca perdoarei e sei agora que ao meu pai também não.