Fomos à festa de aniversário da M. Depois de uma chegada muito tímida por parte do M. (e minha, que ,sem gajo, cheguei lá para constatar que os únicos conhecidos eram os pais da M.). Depois lá começou a brincar (sozinho) no quarto da aniversariante e eu pude vir para o convívio dos adultos tentar... bem, conviver.
Havia lá muitos miúdos, quase todos mais velhos, todos rapazes e demasiado reguilas.
A dada altura vêm à sala dizer-me que o meu filho estava no quarto a chorar. Fui lá e vi todos os miúdos de volta dele e ele aninhado no chão, com um baralho de cartas, a chorar baixinho, mas completamente entupido pelos soluços. Os miúdos começaram a dizer "ele quer fazer xixi". Por isso peguei nele e levei-o para a casa de banho. Ele chorava tão compulsivamente que demorou imenso tempo até que conseguisse dizer o que fosse. Fiquei destroçada!
Aos poucos fui percebendo. Ele disse que os "meninos estavam a dizer que eu ia fazer xixi nas cuecas" "mas não ias, pois não filho?" "não, mas eles disseram".
Depois mais calmamente, percebi o contexto. Ele estava a brincar com o baralho das cartas, e devem ter saído todas da caixa e ele deve ter achado que tinha feito asneira. Depois entraram os miúdos, viram-no comprometido, começaram a gozar e ele não aguentou. Fiquei furiosa! Furiosa com os miúdos (que levaram recado!), "furiosa" com ele por não se saber defender, e furiosa comigo por não o fazer perceber que pode sempre pedir-me ajuda numa situação difícil. Se não me tivessem chamado, até onde é que ele aguentava?
Coitadinho, sentiu-se tão mal, deve ter-se sentido tão sozinho e desprotegido. Odeio esta sensação de que não conseguimos evitar que os nossos filhos sofram, especialmente este tipo de sofrimento, tão interior...
Fiquei desolada.
Sem comentários:
Enviar um comentário