terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ser mãe (também) é ter de ouvir isto...

Estávamos nós na nossa rotina de deitar, que tem funcionado muito bem: contar uma história ao colinho, no sofá do quarto ("Ruca e o Esconderijo Secreto" já dura há 2 semanas!), caminha, cantar umas canções infantis (o repertório já vai tãaao extenso que temos de limitar o número) e então dormir, sossegadito, como tem sido, para não acordar o G.. Estávamos, como ia a dizer, na fase final da rotina, quando me diz "quero a ambulância"; "ó filho não, está lá em baixo, tens aí o carro do Noddy". "Uuuuaaáaaaa!!!!!". "Shiu que acordas o mano!; porque é que estás a chorar?". Então cala-se, como por magia, e diz, muito sério, sem ponta de choro ou choraminguice:
-"Ninguém gosta de mim. Tu não gostas de mim. Estás sempre a ralhar-me."
Bem podia ter-me espetado uma faca no coração, e retorcido! Doeu muito! E eu a saber que não é sentido, ou pelo menos justificado. Nós NUNCA usamos sequer a expressão "se te portas mal não gosto de ti". NUNCA! Por que raio é que ele fez aquela suposição?
Abeirei-me da cama e disse-lhe que gostava muito dele, que sempre gostaria dele, e o pai também, mas que tínhamos de ralhar quando se porta mal. E ele pediu um beijinho, e eu dei-lhe muitos, virou-se para o outro lado e dormiu.
Coração de mãe sofre...

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